Hoje vou apresentar um trabalho sobre o melodrama na disciplina de cinema, o melodrama é o teatro que traduz sentimentos de maneira exagerada, faz parte dele o intelectual George Steiner, um dos mais sofisticados do circuito universitário anglo-saxão do século XX, nascido em Paris,
em 1929, mas educado nos Estados Unidos, é um humanista pessimista. Como
apreciador e crítico da grande cultura clássica greco-romana, ele se
interroga sobre o seu declínio e visivelmente sofre com a espantosa
contradição entre a exuberância do pensamento ocidental e o morticínio,
especialmente dos judeus, desencadeado neste século pelas forças
totalitárias, geradas por essa mesma cultura. Uma das suas maiores
inquietações é responder como alguém pode escutar Schubert à tarde e, em
seguida, sair para tortura e esfolar alguém à noite? Entremente,
Steiner revela-se um amante extremado dos livros e da leitura, um homem
angustiado com a soberania da tecnologia e o descenso da humanística.
Perpassa por todo o texto de Steiner uma ideologia
nostálgica, lamentando o fim dos tempos em que haviam pessoas cultas,
que cevavam-se no que tinha de melhor da literatura universal: de Homero
a Shakespeare, cujo desaparecimento ele situa ter-se dado no final do
século XIX.. Apesar de passar uma parte considerável da sua vida nos
Estados Unidos - país em que segundo ele nada mais é do que um imenso
arquivo da cultura ocidental, sem porém conseguir produzir nada de
original e significativo -, ele manteve-se fiel às suas origens
eurocêntricas (seus pais eram judeus cultos da Mitteleuropa). De certo
modo, ele junta-se a Harold Bloom, o crítico norte-americano, que também
exasperou-se com o descaso para com os clássicos, fenômeno típico da
formação educacional dos dias de hoje.
Ele e Bloom pertencem a um grupo minúsculo de intelectuais poliglotas,
sofisticados, uma minicorporação de cultura universal, que, cada vez
mais reduzida, sente-se abandonada num mundo dominado pela vulgaridade
crescente e pela plebeização avassaladora dos modernos meios de
comunicação. Se o próprio universo acadêmico, última reserva da
inteligência ocidental e derradeiro fortim do culto ao clássico,
sucumbe ao ordinário, o que resta para a aristocracia pensante senão
adotar um discurso saudosista?
Fonte: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/steiner.htm. Acesso em: 19 de Nov. 2013 as 14:52h.
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