quarta-feira, 20 de novembro de 2013

George Steiner: O intelectual sofisticado..

             Hoje vou apresentar um trabalho sobre o melodrama na disciplina de cinema, o melodrama é o teatro que traduz sentimentos de maneira exagerada, faz parte dele o intelectual George Steiner, um dos mais sofisticados do circuito universitário anglo-saxão do século XX, nascido em Paris, em 1929, mas educado nos Estados Unidos, é um humanista pessimista. Como apreciador e crítico da grande cultura clássica greco-romana, ele se interroga sobre o seu declínio e visivelmente sofre com a espantosa contradição entre a exuberância do pensamento ocidental e o morticínio, especialmente dos judeus, desencadeado neste século pelas forças totalitárias, geradas por essa mesma cultura. Uma das suas maiores inquietações é responder como alguém pode escutar Schubert à tarde e, em seguida, sair para tortura e esfolar alguém à noite? Entremente, Steiner revela-se um amante extremado dos livros e da leitura, um homem angustiado com a soberania da tecnologia e o descenso da humanística. 
             Perpassa por todo o texto de Steiner uma ideologia nostálgica, lamentando o fim dos tempos em que haviam pessoas cultas, que cevavam-se no que tinha de melhor da literatura universal: de Homero a Shakespeare, cujo desaparecimento ele situa ter-se dado no final do século XIX.. Apesar de passar uma parte considerável da sua vida nos Estados Unidos - país em que segundo ele nada mais é do que um imenso arquivo da cultura ocidental, sem porém conseguir produzir nada de original e significativo -, ele manteve-se fiel às suas origens eurocêntricas (seus pais eram judeus cultos da Mitteleuropa). De certo modo, ele junta-se a Harold Bloom, o crítico norte-americano, que também exasperou-se com o descaso para com os clássicos, fenômeno típico da formação educacional dos dias de hoje.
             Ele e Bloom pertencem a um grupo minúsculo de intelectuais poliglotas, sofisticados, uma minicorporação de cultura universal, que, cada vez mais reduzida, sente-se abandonada num mundo dominado pela vulgaridade crescente e pela plebeização avassaladora dos modernos meios de comunicação. Se o próprio universo acadêmico, última reserva da inteligência ocidental e derradeiro fortim do culto ao clássico, sucumbe ao ordinário, o que resta para a aristocracia pensante senão adotar um discurso saudosista? 

Fonte: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/steiner.htm. Acesso em: 19 de Nov. 2013 as 14:52h.

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